sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010



Missão Cumprida.... Contra tudo e contra todos......

Nuno
Fotógrafo

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Nuno
Fotógrafo

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Miúdo!

Curiosamente, (ou talvez não!) a expressão “joga bem, põe no chão”, é parte do imaginário da minha infância e (primeira) adolescência... Sim! Quem de nós nunca ouviu o (futebolístico) “lugar comum”, ao qual me atrevo a acrescentar (se a memória não me falha) a (carinhosa!) palavra: “miúdo”... Assim soa mais familiar: Joga bem! Põe no chão, miúdo!..
Recordações (ou recalcamentos!) de uma (tão frustrante, quanto frustrada) caminhada pelo mundo (prático) do Futebol... Peço desculpa pelo desabafo (miúdo!)... Da (medíocre) prática, poderá ter nascido o (nulo) interesse...
Se jogar bem é pôr no chão (miúdo!), jamais jogarei bem este “jogo da bola”... Nos meus (e de uma imensa minoria) “jogos da bola”, manter (entre passes, dribles, remates ou lançamentos) a bola no ar é objectivo central (miúdo!)..
Como em tudo na vida, também aqui (miúdo!), a excepção tem lugar... Numa das vertentes dos (meus/nossos) “jogos da bola”, pôr no chão (do adversário) será jogar (muito) bem!..
Não estará na essência de todos os “jogos da bola”, a prática desportiva que, em si, encerra intensos momentos de fruição, partilha, amizade, companheirismo... Em suma, (miúdo!), de capitais vivências sociais que, no seu conjunto, se revestem de incalculável valor, no crescimento do “eu” que habita o (miúdo!) que há em “nós”...
Num mundo (exageradamente) futebolístico e marcadamente necessitado de “jogo da bola”, assumo (miúdo!), a minha (incompreendida) indiferença pelo Futebol: Esse social fenómeno que, no meu modesto entendimento, mais não deveria ser que (puro) “jogo da bola” (miúdo!)...

João
Professor

Redigido ao som de “Crystalised” - The XX




segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

2010 aos… Pés!

Guardiola, Mourinho, Vilas Boas e Figo
abrem o ano a falar contigo.
Do futebol «in vivo» que o top requisita
Alargas a consciência à indecência,
do «in vitro» parasita!

Organizas-te na «organização do Rodrigo».
Acolhem-te os dizeres do Figo, Vilas Boas, Mourinho e Guardiola.
Vais às aulas no sintético, arrecadação…
abrindo o ouvido?
Lê então, os textos…. sem «teias-de-aranha» na tola!

«O futebol não é uma ciência exacta». Grande lata!
A sociedade é uma ciência exacta? Sem sentido.
A sociologia exacta ou não, cientificamente a retrata.
Assim é o jogar de nível elevado… construído!

Categorias, categorização… conhecimento ou não!
Ajusta-se a categorização, ao objecto em questão?
Objecto no sentido científico objectivável
o do futebol, é um tipo de jogar… e treinável!

Foi no Porto, no Chelsea… é no Inter em Milão
seis, sete vezes o mesmo fado, ganhar em qualquer lado!
Cientificado o treinar? Repetitivamente pois, então?
Sinta-o ou não, o pulhiticamente correcto
com agrado!
Guardiola não sonhava sequer,
o que veio a acontecer,
no Jorge Maciel fazia, do Guardiola apologia!
Entretanto bitates e sorrisos….
assim Vilas Boas os vai ter
que fazer? Deixar o acontecimento acontecer….
Sabedoria!


Vitor
Professor

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Pássaro cego da Nancy

O jogo deve ser emotivo, mas sem azedume, nem violência gratuita. No balneário há que manter toda a tranquilidade...
O jogo deve ser justo sem artimanhas, sem apitos coloridos no exterior das 4 linhas. A justiça não pode prescrever a pedido, e o segredo não se pode esfumar em escutas...
O jogo deve fomentar a paz e a solidariedade entre os povos, os tiros de Cabinda são ecos de intolerância e fatalidade. Por no chão é também chamar a razão, no ar só mesmo os pássaros cegos da Nancy!

Texto redigido ao som de "Pássaro Cego" - Mais do que um disco, o Pássaro Cego é um projecto multidisciplinar onde se reúnem, em formato de livro, a música de Manuel Paulo, as letras de João Monge, a voz de Nancy Vieira e as pinturas de João Ribeiro, que ilustrou cada tema propositadamente. As letras/músicas do Pássaro Cego têm um fio condutor, como se de um argumento se tratasse, que vai levando o leitor/ouvinte ao longo das ilhas sobrevoadas pelo pássaro. O pássaro, sendo cego, orienta o voo guiando-se pelos seus sentidos e vai identificando as várias ilhas que sobrevoa. Assim, plana sobre a "Ilha Mãe" ", a "Ilha da Fé", a "Ilha Babilónia", a "Ilha da Saudade" ou a "Ilha dos Amantes". A cada uma das dez ilhas corresponde uma canção, para além de um tema que se intitula "Pássaro Cego".
Duarte
Veterinário


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Precisamos de ilusão

"Joga bem põe no chão"… pelo ar é mais directo, porquê pelo chão? É mais trabalhado, a certeza acresce, a segurança ascende, ou será que para voar está o medo de aterrar? A dominação enquanto factor securizante depende das nossas competências psicomotoras – estas deixam-nos apenas o terreno, a matéria, como base das nossas intenções e das nossas certezas, o etéreo, o ar que não se agarra foge-nos das mãos (neste caso dos pés).
No nosso manancial corpóreo o ar é apenas um sonho, sonhos que nos fazem temer (sonhamos que estamos a cair no vazio…) e vibrar (sonhamos que voamos, livres…).

Por outro lado, a técnica ou a táctica aérea não se pode desenhar, como esquematizar no vazio, como planear? As linhas fogem-nos, os sectores esfumam-se, perdemos o controlo. O controlo é o factor decisivo – quando não se controla dizemos “isto é futebol, o futebol é assim…” claro que é, é um controlo descontrolado, é uma ordem no caos, daí todos os jogos serem diferentes, ainda que parecidos, as combinações e movimentações são inumeráveis – lembro aqui Proudhon, sob o comando de Bonaparte, que dizia aquando do planeamento das batalhas, das frentes de combate, “Caro Bonaparte, a fecundidade do inesperado é grandemente superior à prudência do estadista”, traduzindo, a melhor táctica, os melhores processos também, podem levar ao êxito, à excelência, à vitória, mas também não.

Quando na afirmação veemente “joga bem põe no chão” não encontramos saída, o ar é a solução, “chuta para a frente, mete lá, põe em cima”, rápido como se não houvesse amanhã, porque o êxito deriva daqui e já não na ordem inicial. Na desordem reina muitas das vezes a solução, tal é a importância da paixão que segundo dizem, cega a razão, mas é capaz de resultados extraordinários, ainda que ambivalentes.

Eu diria, também, “joga bem põe no chão”, mas não é definitivamente a solução, precisamos de ilusão!"


Texto redigido ao som de "Overcome" - Creed

Angelo
Psicólogo


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Liberdade e Ritual

Comecemos bem lá trás, na defesa (que se quer certa e segura). Foi a nossa condição de humanos e o santossacro livre-arbítrio com o qual fomos equipados, que nos permitiu evoluir, de estádio em estádio, até à suprema e actual circunstância. O soltar das amarras instintivas permitiu-nos racionalizar grande parte da nossa existência e aquela pequena parte que não controlámos e/ou não alcançámos, desde sempre remetemos para o sagrado. Essa aparente liberdade, na verdade, esteve sempre condicionada pelas instituídas regras dos ritos, que a cada passo, a cada passagem, impunham determinados comportamentos físicos e cambiantes preceitos morais.
Continuemos no presente, bem no meio-campo (que se quer racional, onde se cogita e mastiga todo o conhecimento adquirido e se exercitam novos rasgos). Existem expressões de liberdade, várias formas de a exteriorizar, mas de entre todas elas a que mais se aproxima do ideal de liberdade será o jogo. E mais, o nirvana dessa liberdade será o jogo.
A vivacidade e a graça estão originalmente ligadas às formas mais primitivas e simples do jogo. É neste que a beleza do corpo humano em movimento e liberdade atinge seu apogeu. Nas suas formas mais complexas, o jogo está saturado de ritmo e de harmonia, que são os mais nobres dons da percepção estética que o homem dispõe. São muitos, e bem íntimos os laços que unem o jogo e a beleza.
No entanto, o jogo é uma função da vida, mas não é passível de definição exacta em termos lógicos, biológicos ou estéticos… eu não consigo, mas façam o favor…
Antes de mais nada, o jogo é uma actividade voluntária. Basta esta característica de liberdade para afastá-lo definitivamente do curso da evolução natural.
Quer a criança, quer o animal são levados ao jogo pela força de seu instinto e pela necessidade de desenvolverem suas faculdades selectivas, físicas e psicológicas, naquilo que se espera que seja o seu correcto desenvolvimento ontogenético.
Seja como for, para o indivíduo adulto e responsável o jogo é uma função que facilmente poderia ser dispensada, é algo supérfluo. Só se torna uma verdadeira necessidade na medida em que o prazer por ele provocado o transforma num desejo. Será possível, em qualquer momento, adiar ou suspender o jogo? Delicado (o estado do terreno terá que estar mesmo impraticável).
Jamais é imposto pela necessidade física ou pelo dever moral e nunca constituí uma tarefa, sendo sempre praticado nas horas de ócio. Obrigação e dever apenas quando constitui uma função cultural reconhecida, como no culto e no ritual e esqueçam essa história de haver profissionais do jogo – esses são os batoteiros, entretanto perseguidos pelas forças de segurança (e da moral).
Passemos ao futuro, bem lá para a frente (que se quer criativa, espontânea e assertiva). Venha o que vier, com maior ou menor tecnologia, maior ou menor espontaneidade, o jogo sobreviverá e a sua maior qualidade, desconfio, continuará a ser a liberdade de pôr a bola no chão e o ritual de ter que a jogar bem.

"Agradeço a colaboração de Johan Huizinga que, num outro tempo, foi um exímio jogador de meio-campo; agradeço também a inspiração para este ritual cristalizante que é a escrita a este grande defesa, que apesar de tudo consegue chegar criativamente bem à frente"

Luis
Antropólogo

Texto redigido ao som de "Chocolate Jesus" - Tom Waits